No âmbito do Seminário de Divulgação do ‘QP’

‘A Bio(ética) e a Robotização’ foi tema de debate

“A Bio(ética) e Robotização: o futuro do trabalho!” foi o tema exposto por Carlos da Costa Gomes, docente e investigador do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, no seminário promovido pela AECOA para apresentação do projeto ‘Qualifica Plus’, no passado dia 29 de maio. Trata-se de um assunto muito atual, que foi abordado de forma clara, dinâmica e até animada, acabando por prender a atenção dos participantes.

“A sociedade encontra-se no limiar de uma era em que robôs, ‘bots’, androides e outras manifestações de inteligência artificial (IA), cada vez mais sofisticadas e preparadas para desencadear uma nova revolução industrial, provavelmente não deixará nenhuma camada da sociedade intacta”, começou por referir o conferencista, adiantando que, “entre 2010 e 2014, o aumento médio nas vendas de robôs situou-se em 17% ao ano e as vendas de 2014 registaram uma subida de 29%, o maior aumento anual de sempre”.

“Essas máquinas terão limites de horário de trabalho? Deverão pagar Segurança Social? Como pagar o não-trabalho das pessoas com trabalho das máquinas inteligentes?”, indagou para concluir que a “História ensina-nos que a tecnologia é algo inato à atividade humana. Estamos sempre a inventar e a melhorar ferramentas para servir o ser humano. O que nos torna humanos não é o matemático, nem mesmo o químico ou o biológico. Mas o que nos envolve. Isto é, o que passa despercebido, o indizível, consciência, o efémero, e o não objetivável. Se quisermos dominar o confronto entre a robotização e a Humanidade teremos de usar as regras básicas: ser exigentes, mas compreensíveis para não impedir o progresso”, sugeriu o Professor Costa Gomes.

“A robotização, a par da IA e tudo o que este desenvolvimento comporta, é o companheiro desta era digital e desta mudança. É assustador? Sim! É impossível? Não. Temos alternativa para o evitar? Nenhuma! Mas se, por um lado, temos a responsabilidade ética de não impedir o progresso, por outro, temos o dever ético de perguntar sobre a sua finalidade: para quê, para quem, quando e como”, completou o comunicador, pós-doutorado em Bioética e defensor do “bem” e do “valor incondicionado”, que é a pessoa humana.

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